“4.48 Psicose” em exbição no Estúdio Zero, Porto

Publicado em Espetáculos, Teatro, desespero às Abril 19, 2008 por huGo Silva

O mundo psicótico de Sarah Kane

Peça estreia hoje, às 21.45 horas

“Sonhei que tinha ido ao médico e que ele me tinha dado oito minutos para viver. Tinha estado sentada na merda da sala de espera meia hora”. Ler esta frase de Sarah Kane é apenas levantar o véu sobre o derradeiro trabalho da dramaturga inglesa, um texto caótico e perturbador que viaja por uma mente à beira do suicídio. Com estreia marcada para hoje, às 21.45 horas, no Estúdio Zero, no Porto, “448 psicose” junta desespero e amor, vida e morte, vozes e silêncios.

A primeira coisa a lembrar é que Sarah Kane sofria de depressão. A segunda aos 28 anos, enforcou-se com uns atacadores de sapatos. No entanto, “4:48 psicose” não é necessariamente o espelho de Sarah Kane. Tem fragmentos seus, por certo, mas também “coisas que ela foi buscar a vários autores e até à Bíblia”, explica Maria do Céu Ribeiro, figura central nesta encenação de Luís Mestre produzida pela companhia As Boas Raparigas.

Ao longo de 24 fragmentos - quem sabe se numa alusão às 24 horas que tem o dia -, o espectador não encontra personagens. Antes se depara com “entidades”, como sucede, por exemplo, nos diálogos entre a mulher e o homem, interpretado por Daniel Pinto.

Luís Mestre vê nesta peça “mais do que uma nota de suicídio”. A autora cria as tais “entidades” e chega a ser provocadora, ao colocar perguntas ao público. Nota importante a reter, na sua opinião, é que Sarah Kane “achava que o que se pode imaginar pode ser feito em palco” e, por isso, “quebrou muitas convenções na escrita teatral”.

“448 psicose” fica em cena até dia 24, regressando em Maio.

Carícias Malícias

Publicado em Espetáculos, Musica, Poesia, pornografia, sexo às Março 29, 2008 por huGo Silva

surikata's photo from 3/30/06

Que saudades eu tenho
De tuas carícias
Malícias
Delícias
Tuas mãos
Navegando meus caracóis
Loiros de mil sóis
Tua língua
Lambusando minha boca
Louca
Pouca
Teu corpo
Meu corpo
Aparta-os um comboio
Infernal
Maquinal
Sempre igual
Viagem dantesca por subúrbios
Carregados de distúrbios
Morte grotesca
De toda a volição
Emoção
Paixão
Teu querer
Meu querer
Sonho alucinado
Com um cataclismo
Malabarismo
Autoclismo
Capaz de destruir toda a distância
Quanta ânsia
O definitivo emergir de nossos desejos
Ensejos
Gracejos
Teu sentir
Meu sentir
Aparta-os um comboio
Infernal
Maquinal
Sempre igual
Tuas mãos
Navegando meus caracóis
Loiros de mil sóis
Tua língua
Lambuzando minha boca
Louca
Pouca
Teu corpo
Meu corpo

Texto: Adolfo Luxúria Canibal

(Luxúria por parte da mãe e Canibal por parte do pai)

 

 

(isto foi só para mudar o lado da “coisa”…)

Ontem

Publicado em Pensamentos, desespero, odio às Março 25, 2008 por huGo Silva

ontem enchi-me de ódio…

e por momentos pensei que o mundo iría desmoronar sobre mim!!

É chato quando nós julgamos que dá-mos tudo

que nos abrimos

e no fim…

somos crucificados por uma cegueira que só os outros veem!!

Se assim foi a vida de um tal de cristo, então matem-me porque eu não quero sujar as minhas mãos!!

Psicose

Publicado em Poesia, alcoolismo, desespero, insanidades, loucura às Março 24, 2008 por huGo Silva

Onde é que começo?

Onde é que paro?

Como é que começo?

(Quando quero continuar)

 

Onde é que paro?

Onde é que paro?

Onde é que paro?

Onde é que paro?

Onde é que paro? Uma etiqueta de dor

Onde é que paro? Apunhalando meus pulmões

Onde é que paro? Uma etiqueta de morte

Onde é que paro? Espremendo meu coração

 

vou morrer

ainda não

mas está ali

 

Por favor…

Dinheiro…

Esposa…

 

Todos os actos são simbólicos

o peso deles esmaga-me

 

Uma linha picotada na garganta

CORTE POR AQUI

 

NÃO DEIXEM QUE ISTO ME MATE

ISTO VAI MATAR-ME E ESMAGAR-ME E

MANDAR-ME PARA O INFERNO

Peço-vos para me salvarem da loucura que me

come

uma morte sub-intencional

 

Pensei que agora não devia tornar a falar

mas agora sei que há qualquer coisa mais negra

que o desejo

 

talvez me salve

talvez me mate

 

um apito melancólico é o grito de um coração a partir-

- se que soa na tigela infernal do tecto da minha mente

 

um cobertor de baratas

acabem com esta guerra

 

As minhas pernas dormentes

 

Nada a dizer

e é este o ritmo da loucura

 

 

 

Fonte : Psicose - Sarah kane

 

Adaptação : huGo Silva 

no comments…

Publicado em morte às Março 15, 2008 por huGo Silva

maddie

- “Static Skies” - The Other Side

Publicado em Musica às Março 14, 2008 por huGo Silva

Se o tempo aperfeiçoa o saber, e se este nos faz enteder o que realmente vale a pena, mesmo que para isso não se olhem a meios para atingir certos “fins”, depois de “this night”, a nova musica dos portugueses The Other Side - “Static Skies”, promete envadir-nos no panorama musical muito brevemente.

Parabens a todos…

- Os Cantos de Maldoror - A não perder

Publicado em Espetáculos, Musica, Poesia, Teatro às Março 14, 2008 por huGo Silva

Na Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de si um formidável empreendimento de demolição de que o romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem nenhum dogma.

Sob a aparência de um herói do Mal, negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a personagem central da narrativa estruturada em Cantos à maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade que nos revela as consequências de uma dupla alienação: enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem imobilizada contrariam-nos a livre expressão.

Se a primeira alienação ganha denúncia no combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela recorrência a artifícios literários, da interpelação do leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço, antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo abortarem, com constantes intromissões e divagações a impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível, deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.

O espetáculo

A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação.Aí se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando livre curso à imaginação.

Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a criança mistura em si as vozes de autor, narrador e personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se sucedem como canções mas encadeados uns nos outros, recorrendo à manipulação vídeo e à representação.

Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira – sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!

Texto Original: Isidore Ducasse dito Conde de Lautréamont;
Selecção, Versão Portuguesa e Adaptação: Adolfo Luxúria Canibal;
Música: Miguel Pedro, Vasco Vaz, António Rafael e Mão Morta;
Encenação: António Durães;
Cenografia: Pedro Tudela;
Figurinos: Cláudia Ribeiro;
Vídeo: Nuno Tudela;
Desenho de Luz: Manuel Antunes;
Interpretação: Mão Morta (Adolfo Luxúria Canibal – voz / Miguel Pedro – electrónica e bateria / António Rafael – teclados e guitarra / Sapo – guitarra / Vasco Vaz – guitarra e teclados / Joana Longobardi – baixo e contrabaixo);
Produção: Theatro Circo e Imetua – Cooperativa Cultural.

Próximas apresentações de “MALDOROR”

13 de Março - Teatro José Lucio da Silva em Leiria
5 de Abril - Teatro Municipal de Faro
12 de Abril - Cine Teatro de Estarreja
23 de Abril - Culturgest em Lisboa
3 de Maio - Theatro Circo em Braga

(Estas serão as últimas apresentações do espectáculo.)

Floresta em sonho

Publicado em Poesia às Março 14, 2008 por huGo Silva

Esta noite atravessava uma floresta a sonhar
Ela estava cheia de horror. Seguindo a cartilha
Os olhos vazios, que nenhum olhar compreende
Os bichos erguiam-se entre árvore e árvore
Esculpidos em pedra pelo gelo. Da linha
De abetos, ao meu encontro, através da neve
Vinha estalando, é isto um sonho ou são os meus olhos que a vêem,
Uma criança de armadura, coiraça e viseira
A lança no braço. Cuja ponta faísca
No negro dos abetos, que bebe o sol
O último vestígio do dia uma seta de ouro
Atrás da floresta do sonho, que me faz sinal de morrer
E num piscar de olho, entre choque e dor,
O meu rosto olhou-me: a criança era eu.

Texto : [Heiner Müller]

Adaptação : [Adolfo Luxúria Canibal - Mão Morta]

Uma nova madrugada emerge

Publicado em Musica, Poesia às Março 2, 2008 por huGo Silva

Reacções Perversas

Publicado em Pensamentos às Fevereiro 26, 2008 por huGo Silva

Reacções perversas, os fracassos da humanidade….

Qual é o teu defeito?!? que cruz carregas??!A tua crucificação deixará um lugar melhor para os teus filhos, e para os filhos deles??! O que esperar mais que tremores da idade moderna arrastando os nossos “cadáveres” através de colinas distantes, em cidades violentas, vilas silenciosas ou casas sossegadas?!!

A ignorância é sem duvida a companheira de um pobre moribundo…