O caso dos cérebros numa cuba.

Posted in Pensamentos with tags , , on Setembro 11, 2009 by Oink Oink

Eis uma possibilidade de ficção científica discutida pelos filósofos: imagine-se que um ser humano (pode imaginar que é você mesmo) foi sujeito a uma operação por um cientista perverso. O cérebro da pessoa (o seu cérebro) foi removido do corpo e colocado numa cuba de nutrientes que o mantém vivo. Os terminais nervosos foram ligados a um supercomputador científico que faz com que a pessoa de quem é o cérebro tenha a ilusão de que tudo está perfeitamente normal. Parece haver pessoas, objectos, o céu, etc.; mas realmente tudo o que a pessoa, (você) está a experienciar é o resultado de impulsos electrónicos deslocando-se do computador para os terminais nervosos. O computador é tão esperto que se a pessoa tenta levantar a mão, a retroacção do computador fará com que ela “veja” e “sinta” a mão sendo levantada. Mais ainda, variando o programa, o cientista perverso pode fazer com que a vítima “experiencie” (ou se alucine com) qualquer situação ou ambiente que ele deseje. Ele pode também apagar a memória com que o cérebro opera, de modo que à própria vítima lhe parecerá ter estado sempre neste ambiente. Pode mesmo parecer à vítima que ela está sentada e a ler estas mesmas palavras sobre a divertida mas completamente absurda suposição de que há um cientista perverso que remove os cérebros das pessoas dos seus corpos e os coloca numa cuba de nutrientes que os mantém vivos. Os terminais nervosos é suposto estarem ligados a um supercomputador científico que faz com que a pessoa de quem é o cérebro tenha a ilusão de que…

Quando este tipo de possibilidade é mencionado numa conferência sobre teoria do conhecimento, o propósito, evidentemente, é levantar de uma maneira moderna o clássico problema do cepticismo relativamente ao mundo exterior. (Como é que você sabe que não está nesta difícil situação?) Mas esta situação difícil é também um dispositivo útil para levantar questões sobre a relação mente/mundo.

Em vez de ter apenas um cérebro na cuba, podíamos imaginar que todos os seres humanos (talvez todos os seres sencientes) são cérebros numa cuba (ou sistemas nervosos numa cuba no caso de alguns seres apenas com um sistema nervoso mínimo considerado já como “senciente”). Naturalmente, o cientista perverso teria que estar de fora – estaria? Talvez não haja nenhum cientista perverso, talvez (embora isto seja absurdo) aconteça simplesmente que o universo consista num mecanismo automático cuidando de uma cuba cheia de cérebros e sistemas nervosos.

Agora suponhamos que o mecanismo automático está programado para nos transmitir uma alucinação colectiva, em vez de uma quantidade de alucinações individuais não relacionadas. Assim, quando me parece estar a falar consigo, a si parece que você não tem ouvidos (reais), nem eu tenho uma boca e língua reais. Antes, quando eu produzo as minhas palavras, o que acontece é que os impulsos eferentes deslocam-se do meu cérebro para o computador, que ocasiona que eu “ouça” a minha própria voz pronunciando essas palavras e “sinta” a minha língua mover-se, etc., e que você “ouça” as minhas palavras, me “veja” a falar, etc. Neste caso, estamos, num certo sentido, realmente em comunicação. Não estou enganado sobre a sua existência real (apenas sobre a existência do seu corpo e do “mundo externo” fora dos cérebros). De um certo ponto de vista, nem sequer importa que “o mundo inteiro” seja uma alucinação colectiva; porque, afinal, você ouve realmente as minhas palavras quando eu falo consigo, mesmo que o mecanismo não seja o que supomos que ele é. (Evidentemente, se fôssemos dois amantes fazendo amor, em vez de apenas duas pessoas levando a cabo uma conversa, então a sugestão de que se tratava apenas de dois cérebros numa cuba podia ser perturbadora.)

Quero agora pôr uma questão que parecerá muito tola e óbvia (pelo menos para algumas pessoas, incluindo alguns filósofos muito sofisticados), mas que nos levará a autênticas profundezas filosóficas bastante rapidamente. Suponha-se que toda esta história era de facto verdadeira. Poderíamos nós, se fôssemos assim cérebros numa cuba, dizer ou pensar que o éramos?

 Hillary Putnam, “Razão, Verdade e História” 

 

Hillary Putnam

Cântico Negro – José Régio

Posted in Uncategorized on Setembro 9, 2009 by huGo Silva

Uma magnifica interpretação de João Villaret… ouçam que vale a pena!!

Mundo Cão – A Geração da Matilha

Posted in Musica, Pensamentos, abstracto, sociedade on Setembro 1, 2009 by huGo Silva

mundo caoNo início do século 21, o mundo encontra-se infectado pelos vírus da padronização, da normalidade acrítica e da resignação. O paradigma neo-liberal, nascido na década de oitenta do século passado, levou ao seu esplendor o acrónimo T.I.N.A. (There Is No Alternative), espécie de slogan panfletário que resume, de uma forma mordaz, os ideais do consenso de Washington. Esta ordem das coisas, que de natural pouco tem, trouxe consigo as democracias decadentes (bem longe dos ideias gregos ou mesmo das teses contratualistas de Rosseau), políticos incompetentes, socialismos bacocos e…um grande vazio. Nas relações pessoais, o ideal é o da normalidade; o padrão torna-se norma de conduta e qualquer desvio é olhado de soslaio, com desconfiança. O hiper-consumismo faz esquecer os valores crus, as emoções à flor da pele. O amor é, agora, palavra para novelas, e o ódio serve para ilustrar os fait-divers jornalísticos. Nada é vivido com a intensidade das emoções. A sintaxe toma o valor da semântica e as palavras valem pela sua aparência. No entanto, um grupo de pessoas resiste a este estado de coisas: vivem a vida pela vida, com a intensidade de um poeta maldito, ou de um actor suicidário a diletância de um saltimbanco ou a espontaneidade de um marinheiro bêbedo. É uma geração de gentes, mas não separadas pela idade. O que os junta são as emoções, a forma como as vivem e delas sugam a vida: o amor pelo amor, a paixão pelo ódio, a volúpia do suor e a sensualidade do sangue. Tal como os caninos, esta geração vive em matilha e cada cão é a liberdade. É esta a GERAÇÃO DA MATILHA…

by: http://www.myspace.com/mundocao

BlackSwan – Era uma vez…

Posted in Espetáculos, Musica on Abril 17, 2009 by huGo Silva

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«”Era uma vez 3 patinhos feios que gostavam “barulho”…»

Parece brincadeira, mas esta é a  história de 3 putos de Castelo de Paiva que contra o mainstream musical abdicaram de tudo a que chamam de comercial, optando por aquilo que gostam e lhes dá mais prazer de fazer… musica,   ao jeito deles claro!

Ao longo de 2 anos de existência e depois das dificuldades que já contavam encontrar,dsc00352edit os BlackSwan calam agora com o seu 1º EP intitulado por Earthmade, Velhos do Restelo que os criticavam duramente, fazendo desprevalecer o seu género musical,  não acreditando no valor e na forma de como a musica mais pesada pode ser interpretada e executada.  Com este novo trabalho de 4 faixas os Cisnes Negros abordam temas como a consciencialização do ambiente, centrando todas as suas raízes nas forças da natureza. Influencias como Gojira, Lamb of God e Meshuggah estão bem presente ao longo das diferentes sonoridades apresentadas,   salientando a introdução de um novo guitarrista na banda, que para alem de mais poder, traz-nos poderosos riffs de cortar a respiração. Esperamos agora pela apresentação do trabalho ao vivo, pois só assim o Cisne poderá abrir as asas.

Todo o trabalho e informações  podem ser encontrada no myspace da banda, assim como os contactos e informações disponíveis.

Cityspark – «Mudam-se os tempos, “agarram-se” as vontades»

Posted in Espetáculos, Musica, insanidades on Abril 16, 2009 by huGo Silva

«Mudam-se os tempos, “agarram-se” as vontades»

É a melhor adaptação que se pode encontrar da célebre frase do grandioso poeta luís Vaz de Camões no que toca ao espírito de vontade e sacrifício de estes não tão menos grandiosos músicos que se dizem “oriundos da terra do pecado”.CitySpark Formados a 1 de Dezembro de 20CitySpark08 os CitySpark são compostos por 4 elementos, dois dos quais dos recentemente extintos The Other Side (Jorge Ferreira (voz/sintetizadores) e Hugo Lourenzo (voz/guitarra), que abraçaram desta forma o desafio a novas sonoridades tendo em conta toda uma experiencia gerada pelos projectos anteriores, quer pelos dos elementos já referidos quer pelos restantes Luis Miguel (Baixo) e Ricardo (bateria/percussão), originado assim uma cumplicidade musical que se espera multifacetada não pela rápida abordagem do projecto, mas sim pela originalidade.

Os CitySpark encontram-se neste momento em estúdio preparando o EP com estreia esperada para brevemente e posteriormente poderá ser consultado no sítio oficial ou no myspace da banda.

Estamos á vossa espera

“Cordas e Oliveiras” mudou…

Posted in insanidades on Abril 16, 2009 by huGo Silva

Dou agora inicio a uma nova era para o C&O…

Playing For Change – Peace Through Music : Song Around the World “Stand By Me”

Posted in Espetáculos, Musica, Pensamentos, sociedade, sonho, videos on Janeiro 20, 2009 by huGo Silva

O passado

Posted in Musica, Pensamentos, Poesia, sonho on Novembro 4, 2008 by huGo Silva

“Frases deturpadas
no meio de uma imensa escuridão de palavras…humm talvez?!”
Ou, apenas uma explosão de um sentido
no meio de um caminho percorrido
de muita solidão,
em que as marcas vividas
por muito que queiram ser esquecidas
já mais nos deixarão….

raízes acorrentadas
do cérebro ao coração!!
sangue, ódio e lágrimas vertidas
que um dia foram vividas
mas que agora não passam de uma mera ilusão…

Hugo S.
(Porque há coisas que devem ser esquecidas – Março 2007)

InterRail – Venezia

Posted in ERASMUS, Viagens, sonho on Novembro 3, 2008 by huGo Silva

Depois de muita confusão e tempo perdido esperando por “quem não sabe o que quer”, eu e a Marília tomamos a  mais que certa decisão de escolher a dedo um leque variado de diferentes cidades europeias, decidindo por fim rumar a quatro das quais de certa forma se poderiam identificar mais connosco. Por isso, e sem perder mais tempo, colocamos a mochila ás costas e demos inicio a uma fantástica viagem que jamais esqueceremos e como não poderia deixar de ser, o nosso primeiro destino foi Veneza.

A bela e misteriosa cidade italiana conhecida como a cidade dos canais,  é um local onde todo o  romantismo se pode encontrar a cada esquina,  percorrendo ruas labirínticas, cruzando as mais belas pontes pedonais em direcção á magnifica piazza de S. Marco, passando também pela deslumbrante ponte de Rialto observando o Grande canal e todo o atarefado movimento de barcos que nele transitam, e por fim um sereno passeio nos jardins das instalações da Bienal de Veneza, onde anualmente se realiza o tão aclamado festival de cinema, olhando na suavidade com que o Mar Adriático acolhe a cidade num magnifico pôr do sol.  Foram sem duvida dois dias que jamais esqueceremos, ficando assim a promessa em voltar um dia…

Para sempre “António”

Posted in Musica, Poesia on Outubro 14, 2008 by huGo Silva

Chamava-se António Ribeiro mas ficará conhecido na história da música portuguesa como António Variações, barbeiro de profissão e músico por devoção,consegue em pouco mais de um ano transformar-se num caso único de popularidade através da sua irreverencia e atitude perante uma sociedade fechada a liberalismos e a modernismos que tanto identificou a década de 80.

Na sua discografia contam-se apenas um máxi-single e dois álbuns, editados entre 1982 e 1984. A morte prematura aos 39 anos – em 1984 – virá pôr termo à meteórica carreira de Variações, mas a sua obra permanece – e permanecerá decerto – bem viva na memória, não apenas na dos seus admiradores, mas também dos seus críticos mais ferozes. Porque António Variações gerou paixões e ódios, mas nunca a indiferença .

Sempre Ausente

Diz-me que solidão é essa
Que te põe a falar sozinho
Diz-me que conversa
Estás a ter contigo

Diz-me que desprezo é esse
Que não olhas para quem quer que seja
Ou pensas que não existes
Ninguém que te veja

Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos

Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente

Mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar

Diz-me que loucura é essa
Que te veste de fantasia
Diz-me que te liberta
Que vida fazias

Diz-me que distância é essa
Que levas no teu olhar
Que ânsia e que pressa
Tu queres alcançar

Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos

Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente

Mas eu estou sempre ausente e não conseguem alcançar
Não conseguem alcançar…

António Variações