“4.48 Psicose” em exbição no Estúdio Zero, Porto

O mundo psicótico de Sarah Kane

Peça estreia hoje, às 21.45 horas

“Sonhei que tinha ido ao médico e que ele me tinha dado oito minutos para viver. Tinha estado sentada na merda da sala de espera meia hora”. Ler esta frase de Sarah Kane é apenas levantar o véu sobre o derradeiro trabalho da dramaturga inglesa, um texto caótico e perturbador que viaja por uma mente à beira do suicídio. Com estreia marcada para hoje, às 21.45 horas, no Estúdio Zero, no Porto, “448 psicose” junta desespero e amor, vida e morte, vozes e silêncios.

A primeira coisa a lembrar é que Sarah Kane sofria de depressão. A segunda aos 28 anos, enforcou-se com uns atacadores de sapatos. No entanto, “4:48 psicose” não é necessariamente o espelho de Sarah Kane. Tem fragmentos seus, por certo, mas também “coisas que ela foi buscar a vários autores e até à Bíblia”, explica Maria do Céu Ribeiro, figura central nesta encenação de Luís Mestre produzida pela companhia As Boas Raparigas.

Ao longo de 24 fragmentos - quem sabe se numa alusão às 24 horas que tem o dia -, o espectador não encontra personagens. Antes se depara com “entidades”, como sucede, por exemplo, nos diálogos entre a mulher e o homem, interpretado por Daniel Pinto.

Luís Mestre vê nesta peça “mais do que uma nota de suicídio”. A autora cria as tais “entidades” e chega a ser provocadora, ao colocar perguntas ao público. Nota importante a reter, na sua opinião, é que Sarah Kane “achava que o que se pode imaginar pode ser feito em palco” e, por isso, “quebrou muitas convenções na escrita teatral”.

“448 psicose” fica em cena até dia 24, regressando em Maio.

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