Para sempre “António”
Chamava-se António Ribeiro mas ficará conhecido na história da música portuguesa como António Variações, barbeiro de profissão e músico por devoção,consegue em pouco mais de um ano transformar-se num caso único de popularidade através da sua irreverencia e atitude perante uma sociedade fechada a liberalismos e a modernismos que tanto identificou a década de 80.
Na sua discografia contam-se apenas um máxi-single e dois álbuns, editados entre 1982 e 1984. A morte prematura aos 39 anos – em 1984 – virá pôr termo à meteórica carreira de Variações, mas a sua obra permanece – e permanecerá decerto – bem viva na memória, não apenas na dos seus admiradores, mas também dos seus críticos mais ferozes. Porque António Variações gerou paixões e ódios, mas nunca a indiferença .
Sempre Ausente
Diz-me que solidão é essa
Que te põe a falar sozinho
Diz-me que conversa
Estás a ter contigo
Diz-me que desprezo é esse
Que não olhas para quem quer que seja
Ou pensas que não existes
Ninguém que te veja
Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos
Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente
Mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
Diz-me que loucura é essa
Que te veste de fantasia
Diz-me que te liberta
Que vida fazias
Diz-me que distância é essa
Que levas no teu olhar
Que ânsia e que pressa
Tu queres alcançar
Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos
Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente
Mas eu estou sempre ausente e não conseguem alcançar
Não conseguem alcançar…
António Variações

Outubro 15, 2008 às 10:44 am
“Tu continuas à espera
Do melhor que ja nao vem
E a esperanca foi encontrada
Antes de ti por alguém
E eu sou melhor que nada ”
O inconfundivel Variações.
Nasceu no tempo certo, no país errado. Morreu cedo demais.
Um visionário injustamente reconhecido tardiamente.
E se tivesse nascido hoje? Teria sido o seu caminho percorrido da mesma forma?
A discriminação cá continua … e continuará!