Archive for the Musica Category

Mundo Cão – A Geração da Matilha

Posted in Musica, Pensamentos, abstracto, sociedade on Setembro 1, 2009 by huGo Silva

mundo caoNo início do século 21, o mundo encontra-se infectado pelos vírus da padronização, da normalidade acrítica e da resignação. O paradigma neo-liberal, nascido na década de oitenta do século passado, levou ao seu esplendor o acrónimo T.I.N.A. (There Is No Alternative), espécie de slogan panfletário que resume, de uma forma mordaz, os ideais do consenso de Washington. Esta ordem das coisas, que de natural pouco tem, trouxe consigo as democracias decadentes (bem longe dos ideias gregos ou mesmo das teses contratualistas de Rosseau), políticos incompetentes, socialismos bacocos e…um grande vazio. Nas relações pessoais, o ideal é o da normalidade; o padrão torna-se norma de conduta e qualquer desvio é olhado de soslaio, com desconfiança. O hiper-consumismo faz esquecer os valores crus, as emoções à flor da pele. O amor é, agora, palavra para novelas, e o ódio serve para ilustrar os fait-divers jornalísticos. Nada é vivido com a intensidade das emoções. A sintaxe toma o valor da semântica e as palavras valem pela sua aparência. No entanto, um grupo de pessoas resiste a este estado de coisas: vivem a vida pela vida, com a intensidade de um poeta maldito, ou de um actor suicidário a diletância de um saltimbanco ou a espontaneidade de um marinheiro bêbedo. É uma geração de gentes, mas não separadas pela idade. O que os junta são as emoções, a forma como as vivem e delas sugam a vida: o amor pelo amor, a paixão pelo ódio, a volúpia do suor e a sensualidade do sangue. Tal como os caninos, esta geração vive em matilha e cada cão é a liberdade. É esta a GERAÇÃO DA MATILHA…

by: http://www.myspace.com/mundocao

BlackSwan – Era uma vez…

Posted in Espetáculos, Musica on Abril 17, 2009 by huGo Silva

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«”Era uma vez 3 patinhos feios que gostavam “barulho”…»

Parece brincadeira, mas esta é a  história de 3 putos de Castelo de Paiva que contra o mainstream musical abdicaram de tudo a que chamam de comercial, optando por aquilo que gostam e lhes dá mais prazer de fazer… musica,   ao jeito deles claro!

Ao longo de 2 anos de existência e depois das dificuldades que já contavam encontrar,dsc00352edit os BlackSwan calam agora com o seu 1º EP intitulado por Earthmade, Velhos do Restelo que os criticavam duramente, fazendo desprevalecer o seu género musical,  não acreditando no valor e na forma de como a musica mais pesada pode ser interpretada e executada.  Com este novo trabalho de 4 faixas os Cisnes Negros abordam temas como a consciencialização do ambiente, centrando todas as suas raízes nas forças da natureza. Influencias como Gojira, Lamb of God e Meshuggah estão bem presente ao longo das diferentes sonoridades apresentadas,   salientando a introdução de um novo guitarrista na banda, que para alem de mais poder, traz-nos poderosos riffs de cortar a respiração. Esperamos agora pela apresentação do trabalho ao vivo, pois só assim o Cisne poderá abrir as asas.

Todo o trabalho e informações  podem ser encontrada no myspace da banda, assim como os contactos e informações disponíveis.

Cityspark – «Mudam-se os tempos, “agarram-se” as vontades»

Posted in Espetáculos, Musica, insanidades on Abril 16, 2009 by huGo Silva

«Mudam-se os tempos, “agarram-se” as vontades»

É a melhor adaptação que se pode encontrar da célebre frase do grandioso poeta luís Vaz de Camões no que toca ao espírito de vontade e sacrifício de estes não tão menos grandiosos músicos que se dizem “oriundos da terra do pecado”.CitySpark Formados a 1 de Dezembro de 20CitySpark08 os CitySpark são compostos por 4 elementos, dois dos quais dos recentemente extintos The Other Side (Jorge Ferreira (voz/sintetizadores) e Hugo Lourenzo (voz/guitarra), que abraçaram desta forma o desafio a novas sonoridades tendo em conta toda uma experiencia gerada pelos projectos anteriores, quer pelos dos elementos já referidos quer pelos restantes Luis Miguel (Baixo) e Ricardo (bateria/percussão), originado assim uma cumplicidade musical que se espera multifacetada não pela rápida abordagem do projecto, mas sim pela originalidade.

Os CitySpark encontram-se neste momento em estúdio preparando o EP com estreia esperada para brevemente e posteriormente poderá ser consultado no sítio oficial ou no myspace da banda.

Estamos á vossa espera

Playing For Change – Peace Through Music : Song Around the World “Stand By Me”

Posted in Espetáculos, Musica, Pensamentos, sociedade, sonho, videos on Janeiro 20, 2009 by huGo Silva

O passado

Posted in Musica, Pensamentos, Poesia, sonho on Novembro 4, 2008 by huGo Silva

“Frases deturpadas
no meio de uma imensa escuridão de palavras…humm talvez?!”
Ou, apenas uma explosão de um sentido
no meio de um caminho percorrido
de muita solidão,
em que as marcas vividas
por muito que queiram ser esquecidas
já mais nos deixarão….

raízes acorrentadas
do cérebro ao coração!!
sangue, ódio e lágrimas vertidas
que um dia foram vividas
mas que agora não passam de uma mera ilusão…

Hugo S.
(Porque há coisas que devem ser esquecidas – Março 2007)

Para sempre “António”

Posted in Musica, Poesia on Outubro 14, 2008 by huGo Silva

Chamava-se António Ribeiro mas ficará conhecido na história da música portuguesa como António Variações, barbeiro de profissão e músico por devoção,consegue em pouco mais de um ano transformar-se num caso único de popularidade através da sua irreverencia e atitude perante uma sociedade fechada a liberalismos e a modernismos que tanto identificou a década de 80.

Na sua discografia contam-se apenas um máxi-single e dois álbuns, editados entre 1982 e 1984. A morte prematura aos 39 anos – em 1984 – virá pôr termo à meteórica carreira de Variações, mas a sua obra permanece – e permanecerá decerto – bem viva na memória, não apenas na dos seus admiradores, mas também dos seus críticos mais ferozes. Porque António Variações gerou paixões e ódios, mas nunca a indiferença .

Sempre Ausente

Diz-me que solidão é essa
Que te põe a falar sozinho
Diz-me que conversa
Estás a ter contigo

Diz-me que desprezo é esse
Que não olhas para quem quer que seja
Ou pensas que não existes
Ninguém que te veja

Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos

Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente

Mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar

Diz-me que loucura é essa
Que te veste de fantasia
Diz-me que te liberta
Que vida fazias

Diz-me que distância é essa
Que levas no teu olhar
Que ânsia e que pressa
Tu queres alcançar

Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos

Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente

Mas eu estou sempre ausente e não conseguem alcançar
Não conseguem alcançar…

António Variações

Angel Song

Posted in Musica, Pensamentos on Setembro 25, 2008 by huGo Silva

Carícias Malícias

Posted in Espetáculos, Musica, Poesia, pornografia, sexo on Março 29, 2008 by huGo Silva

surikata's photo from 3/30/06

Que saudades eu tenho
De tuas carícias
Malícias
Delícias
Tuas mãos
Navegando meus caracóis
Loiros de mil sóis
Tua língua
Lambusando minha boca
Louca
Pouca
Teu corpo
Meu corpo
Aparta-os um comboio
Infernal
Maquinal
Sempre igual
Viagem dantesca por subúrbios
Carregados de distúrbios
Morte grotesca
De toda a volição
Emoção
Paixão
Teu querer
Meu querer
Sonho alucinado
Com um cataclismo
Malabarismo
Autoclismo
Capaz de destruir toda a distância
Quanta ânsia
O definitivo emergir de nossos desejos
Ensejos
Gracejos
Teu sentir
Meu sentir
Aparta-os um comboio
Infernal
Maquinal
Sempre igual
Tuas mãos
Navegando meus caracóis
Loiros de mil sóis
Tua língua
Lambuzando minha boca
Louca
Pouca
Teu corpo
Meu corpo

Texto: Adolfo Luxúria Canibal

(Luxúria por parte da mãe e Canibal por parte do pai)

 

 

(isto foi só para mudar o lado da “coisa”…)

- “Static Skies” – The Other Side

Posted in Musica on Março 14, 2008 by huGo Silva

Se o tempo aperfeiçoa o saber, e se este nos faz enteder o que realmente vale a pena, mesmo que para isso não se olhem a meios para atingir certos “fins”, depois de “this night”, a nova musica dos portugueses The Other Side“Static Skies”, promete envadir-nos no panorama musical muito brevemente.

Parabens a todos…

- Os Cantos de Maldoror – A não perder

Posted in Espetáculos, Musica, Poesia, Teatro on Março 14, 2008 by huGo Silva

Na Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de si um formidável empreendimento de demolição de que o romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem nenhum dogma.

Sob a aparência de um herói do Mal, negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a personagem central da narrativa estruturada em Cantos à maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade que nos revela as consequências de uma dupla alienação: enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem imobilizada contrariam-nos a livre expressão.

Se a primeira alienação ganha denúncia no combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela recorrência a artifícios literários, da interpelação do leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço, antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo abortarem, com constantes intromissões e divagações a impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível, deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.

O espetáculo

A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação.Aí se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando livre curso à imaginação.

Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a criança mistura em si as vozes de autor, narrador e personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se sucedem como canções mas encadeados uns nos outros, recorrendo à manipulação vídeo e à representação.

Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira – sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!

Texto Original: Isidore Ducasse dito Conde de Lautréamont;
Selecção, Versão Portuguesa e Adaptação: Adolfo Luxúria Canibal;
Música: Miguel Pedro, Vasco Vaz, António Rafael e Mão Morta;
Encenação: António Durães;
Cenografia: Pedro Tudela;
Figurinos: Cláudia Ribeiro;
Vídeo: Nuno Tudela;
Desenho de Luz: Manuel Antunes;
Interpretação: Mão Morta (Adolfo Luxúria Canibal – voz / Miguel Pedro – electrónica e bateria / António Rafael – teclados e guitarra / Sapo – guitarra / Vasco Vaz – guitarra e teclados / Joana Longobardi – baixo e contrabaixo);
Produção: Theatro Circo e Imetua – Cooperativa Cultural.

Próximas apresentações de “MALDOROR”

13 de Março – Teatro José Lucio da Silva em Leiria
5 de Abril – Teatro Municipal de Faro
12 de Abril – Cine Teatro de Estarreja
23 de Abril – Culturgest em Lisboa
3 de Maio – Theatro Circo em Braga

(Estas serão as últimas apresentações do espectáculo.)