Archive for the Poesia Category

O passado

Posted in Musica, Pensamentos, Poesia, sonho on Novembro 4, 2008 by huGo Silva

“Frases deturpadas
no meio de uma imensa escuridão de palavras…humm talvez?!”
Ou, apenas uma explosão de um sentido
no meio de um caminho percorrido
de muita solidão,
em que as marcas vividas
por muito que queiram ser esquecidas
já mais nos deixarão….

raízes acorrentadas
do cérebro ao coração!!
sangue, ódio e lágrimas vertidas
que um dia foram vividas
mas que agora não passam de uma mera ilusão…

Hugo S.
(Porque há coisas que devem ser esquecidas – Março 2007)

Para sempre “António”

Posted in Musica, Poesia on Outubro 14, 2008 by huGo Silva

Chamava-se António Ribeiro mas ficará conhecido na história da música portuguesa como António Variações, barbeiro de profissão e músico por devoção,consegue em pouco mais de um ano transformar-se num caso único de popularidade através da sua irreverencia e atitude perante uma sociedade fechada a liberalismos e a modernismos que tanto identificou a década de 80.

Na sua discografia contam-se apenas um máxi-single e dois álbuns, editados entre 1982 e 1984. A morte prematura aos 39 anos – em 1984 – virá pôr termo à meteórica carreira de Variações, mas a sua obra permanece – e permanecerá decerto – bem viva na memória, não apenas na dos seus admiradores, mas também dos seus críticos mais ferozes. Porque António Variações gerou paixões e ódios, mas nunca a indiferença .

Sempre Ausente

Diz-me que solidão é essa
Que te põe a falar sozinho
Diz-me que conversa
Estás a ter contigo

Diz-me que desprezo é esse
Que não olhas para quem quer que seja
Ou pensas que não existes
Ninguém que te veja

Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos

Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente

Mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar

Diz-me que loucura é essa
Que te veste de fantasia
Diz-me que te liberta
Que vida fazias

Diz-me que distância é essa
Que levas no teu olhar
Que ânsia e que pressa
Tu queres alcançar

Que viagem é essa
Que te diriges em todos os sentidos
Andas em busca dos sonhos perdidos

Lá vai uma luz
Lá vai o demente
Lá vai ele a passar
Assim te chama toda essa gente

Mas eu estou sempre ausente e não conseguem alcançar
Não conseguem alcançar…

António Variações

A 1ª quebra

Posted in Pensamentos, Poesia, insanidades on Setembro 16, 2008 by huGo Silva

Somos memórias de lobos que rasgam a pele
Lobos que foram homens e o tornarão a ser
ou talvez memórias de homens.
que insistem em não rasgar a pele
Homens que procuram ser lobos
mas que jamais o voltarão a ser…

Fernado Ribeiro, Moonspell

Hoje acordei “seco”, não sei se isto será normal, até porque não bebi muito ontem…talvez será mesmo porque me falta mesmo alguma coisa!! Talvez vou ter que saltar de pagina e esperar que algo me preencha lentamente, sim, pois não me quero precipitar e cometer um erro ao qual me possa arrepender profundamente…


Carícias Malícias

Posted in Espetáculos, Musica, Poesia, pornografia, sexo on Março 29, 2008 by huGo Silva

surikata's photo from 3/30/06

Que saudades eu tenho
De tuas carícias
Malícias
Delícias
Tuas mãos
Navegando meus caracóis
Loiros de mil sóis
Tua língua
Lambusando minha boca
Louca
Pouca
Teu corpo
Meu corpo
Aparta-os um comboio
Infernal
Maquinal
Sempre igual
Viagem dantesca por subúrbios
Carregados de distúrbios
Morte grotesca
De toda a volição
Emoção
Paixão
Teu querer
Meu querer
Sonho alucinado
Com um cataclismo
Malabarismo
Autoclismo
Capaz de destruir toda a distância
Quanta ânsia
O definitivo emergir de nossos desejos
Ensejos
Gracejos
Teu sentir
Meu sentir
Aparta-os um comboio
Infernal
Maquinal
Sempre igual
Tuas mãos
Navegando meus caracóis
Loiros de mil sóis
Tua língua
Lambuzando minha boca
Louca
Pouca
Teu corpo
Meu corpo

Texto: Adolfo Luxúria Canibal

(Luxúria por parte da mãe e Canibal por parte do pai)

 

 

(isto foi só para mudar o lado da “coisa”…)

Psicose

Posted in Poesia, alcoolismo, desespero, insanidades, loucura on Março 24, 2008 by huGo Silva

Onde é que começo?

Onde é que paro?

Como é que começo?

(Quando quero continuar)

 

Onde é que paro?

Onde é que paro?

Onde é que paro?

Onde é que paro?

Onde é que paro? Uma etiqueta de dor

Onde é que paro? Apunhalando meus pulmões

Onde é que paro? Uma etiqueta de morte

Onde é que paro? Espremendo meu coração

 

vou morrer

ainda não

mas está ali

 

Por favor…

Dinheiro…

Esposa…

 

Todos os actos são simbólicos

o peso deles esmaga-me

 

Uma linha picotada na garganta

CORTE POR AQUI

 

NÃO DEIXEM QUE ISTO ME MATE

ISTO VAI MATAR-ME E ESMAGAR-ME E

MANDAR-ME PARA O INFERNO

Peço-vos para me salvarem da loucura que me

come

uma morte sub-intencional

 

Pensei que agora não devia tornar a falar

mas agora sei que há qualquer coisa mais negra

que o desejo

 

talvez me salve

talvez me mate

 

um apito melancólico é o grito de um coração a partir-

- se que soa na tigela infernal do tecto da minha mente

 

um cobertor de baratas

acabem com esta guerra

 

As minhas pernas dormentes

 

Nada a dizer

e é este o ritmo da loucura

 

 

 

Fonte : Psicose – Sarah kane

 

Adaptação : huGo Silva 

- Os Cantos de Maldoror – A não perder

Posted in Espetáculos, Musica, Poesia, Teatro on Março 14, 2008 by huGo Silva

Na Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de si um formidável empreendimento de demolição de que o romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem nenhum dogma.

Sob a aparência de um herói do Mal, negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a personagem central da narrativa estruturada em Cantos à maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade que nos revela as consequências de uma dupla alienação: enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem imobilizada contrariam-nos a livre expressão.

Se a primeira alienação ganha denúncia no combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela recorrência a artifícios literários, da interpelação do leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço, antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo abortarem, com constantes intromissões e divagações a impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível, deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.

O espetáculo

A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o vídeo e a declamação.Aí se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando livre curso à imaginação.

Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a criança mistura em si as vozes de autor, narrador e personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se sucedem como canções mas encadeados uns nos outros, recorrendo à manipulação vídeo e à representação.

Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira – sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!

Texto Original: Isidore Ducasse dito Conde de Lautréamont;
Selecção, Versão Portuguesa e Adaptação: Adolfo Luxúria Canibal;
Música: Miguel Pedro, Vasco Vaz, António Rafael e Mão Morta;
Encenação: António Durães;
Cenografia: Pedro Tudela;
Figurinos: Cláudia Ribeiro;
Vídeo: Nuno Tudela;
Desenho de Luz: Manuel Antunes;
Interpretação: Mão Morta (Adolfo Luxúria Canibal – voz / Miguel Pedro – electrónica e bateria / António Rafael – teclados e guitarra / Sapo – guitarra / Vasco Vaz – guitarra e teclados / Joana Longobardi – baixo e contrabaixo);
Produção: Theatro Circo e Imetua – Cooperativa Cultural.

Próximas apresentações de “MALDOROR”

13 de Março – Teatro José Lucio da Silva em Leiria
5 de Abril – Teatro Municipal de Faro
12 de Abril – Cine Teatro de Estarreja
23 de Abril – Culturgest em Lisboa
3 de Maio – Theatro Circo em Braga

(Estas serão as últimas apresentações do espectáculo.)

Floresta em sonho

Posted in Poesia on Março 14, 2008 by huGo Silva

Esta noite atravessava uma floresta a sonhar
Ela estava cheia de horror. Seguindo a cartilha
Os olhos vazios, que nenhum olhar compreende
Os bichos erguiam-se entre árvore e árvore
Esculpidos em pedra pelo gelo. Da linha
De abetos, ao meu encontro, através da neve
Vinha estalando, é isto um sonho ou são os meus olhos que a vêem,
Uma criança de armadura, coiraça e viseira
A lança no braço. Cuja ponta faísca
No negro dos abetos, que bebe o sol
O último vestígio do dia uma seta de ouro
Atrás da floresta do sonho, que me faz sinal de morrer
E num piscar de olho, entre choque e dor,
O meu rosto olhou-me: a criança era eu.

Texto : [Heiner Müller]

Adaptação : [Adolfo Luxúria Canibal - Mão Morta]

Uma nova madrugada emerge

Posted in Musica, Poesia on Março 2, 2008 by huGo Silva